POESIA PALMERIANA

Los poetas somos como los leones, después de que nos disparen podemos lanzar nuestras garras. Página administrada por el poeta Ramón Palmeral, Alicante (España). Publicamos gratis portadas de los libros que nos envían. El mejor portal de poetas hispanoamericanos seleccionados. Ramón Palmeral poeta de Ciudad Real, nacido en Piedrabuena.
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sábado, 20 de noviembre de 2010

São poucos.

São poucos.
A Primavera está muito cotada, mas
é melhor o Verão.
E também essas gretas que o Outono forma
ao interceder com os domingos
em algumas cidades
já de si amarelas como bananas.
O Inverno elimina muitos sítios:
nesgas de portas viradas a norte,
margens dos rios
e bancos públicos.
Os contrafortes externos
das igrejas antigas
deixam às vezes luras
utilizáveis mesmo com neve.
Mas desenganemo-nos: as baixas
temperaturas e os ventos húmidos
complicam tudo.
Os regulamentos, ademais, proscrevem
as carícias (com isenção
para determinadas zonas epidérmicas
- sem qualquer interesse –
em crianças, cães e outros animais)
e o “não tocar, perigo de ignomínia”
pode ler-se em mil olhares.
Para onde fugir, então?
Em todo o lado olhos vesgos,
córneas torturadas,
implacáveis pupilas,
retinas reticentes,
vigiam, desconfiam, ameaçam.
Resta talvez o remédio de andar só,
de esvaziar a alma de ternura
e enchê-la de fastio e indiferença,
neste tempo hostil, propício ao ódio.


(Angel Gonzales)